As sementes de Cânhamo para consumo humano já se encontram à venda em vários sítios. A Biomiósotis e a Biocoop, ambos supermercados Biológicos em Lisboa cuja visita recomendo, são apenas dois exemplos. As sementes de cânhamo são constituídas em 35 % por ácidos gordos essenciais, numa proporção de ómega 3 e 6 ideais para a saúde humana e índicios do seu consumo alimentar estão datados à pelo menos 3000 anos. Na imagem, a embalagem da Davert, que custa entre 2 e 3 euros e tem 250g. No rótulo lê-se "não é permitido semear".
domingo, 19 de outubro de 2008
Aplicações do Cânhamo #3
As sementes de Cânhamo para consumo humano já se encontram à venda em vários sítios. A Biomiósotis e a Biocoop, ambos supermercados Biológicos em Lisboa cuja visita recomendo, são apenas dois exemplos. As sementes de cânhamo são constituídas em 35 % por ácidos gordos essenciais, numa proporção de ómega 3 e 6 ideais para a saúde humana e índicios do seu consumo alimentar estão datados à pelo menos 3000 anos. Na imagem, a embalagem da Davert, que custa entre 2 e 3 euros e tem 250g. No rótulo lê-se "não é permitido semear".
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
Aplicações do Cânhamo #2
O cimento de cânhamo é um material de construção ecológico que apresente diversos benefícios na sua aplicação.
É 7 vezes mais forte do que o betão, tem metade do peso deste e é bastante mais elástico o que confere mais flexibilidade no seu uso. Estudos indicam que por cada m2 de betão, são emitidos 200kg de CO2, emissões que no panorama dos países desenvolvidos podem chegar a representar quase metade das emissões anuais deste gás com efeito de estufa. Por outro lado cada m2 de cimento de cânhamo, retira 23kg de CO2 da atmosfera (CO2 fixado durante o ciclo de vida da planta).
Existem várias marcas que comercializam este produto na Europa:
Hemcrete, Canobiote, Canosmose
Com uma condutividade térmica de λ=0.07W/m.k e uma resistência após 90 dias de 0.9Mpa, a grande desvantagem do Cimento de cânhamo é mesmo o preço que ronda os 107 Euros por m3.

Uma descrição técnica detalhada pode ser encontrada em:
http://www.backtoearth.co.uk/downloads/hemcrete_detailed.pdf (Inglês)
http://www.chanvre.oxatis.com/
http://www.limetechnology.co.uk/home/index.php
http://www.hempsteads.com/hempcrete.htmterça-feira, 2 de setembro de 2008
domingo, 29 de junho de 2008
Aplicações do Cânhamo #1

Segundo a Quercus a construção sustentável e uma adequada eficiência energética dos edifícios reduz 40% a 50 % das emissões de CO2 e até 40% dos consumos energéticos nacionais.
Em Portugal, nos raros casos em que se recorrem a sistemas de isolamento térmico, opta-se pelo recurso a produtos à base de Poliestireno extrudido ou espandido, materiais muito pouco "amigos" do ambiente.
As coberturas ecológicas à base de fibra de Cânhamo são um dos melhores isoladores térmicos e acústicos do mercado, com uma capacidade calórica a rondar os 1700 J/Kg.K e uma condutividade térmica na ordem dos 0.040 W/mK (o Poliestireno extrudido ronda os 0.036 W/mK).

O preço de mercado ronda os 5,6 Euros por metro quadrado, mais barato que alguns tipos de cobertura de Poliestireno. Por cada Kg de cobertura de cânhamo aplicado é recuperado 1.4 Kg de CO2.
Segue-se uma lista de alguns produtores de coberturas isoladores de Cânhamo:
EcoMerchant (Inglaterra)
HempFlax (Alemanha)
NaturalDeco (Inglaterra)
Agrofibra (Espanha)
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Relatório da Associação Europeia do Cânhamo Industrial
Este documento é um resumo interessante das potencialidades do Cânhamo industrial, não só por apresentar alguns exemplos práticos das suas aplicações, mas fundamentalmente por sintetizar o principal desafio dos produtores de cânhamo europeus: a contínua falta de apoios comunitários face à crescente competição no mercado das fibras naturais.

O site da EIHA, sediada na Alemanhã e fundada em 2005, encontra-se aqui.
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Como plantar Cânhamo em Portugal?
"Foi a meados do ano passado que pedimos informações ao Ministério da Agricultura sobre como proceder legal e burocraticamente para poder iniciar o cultivo do cânhamo para fins industriais quer recorrendo ao subsídio ou não. Ao fim de seis meses de troca de emails, correspondência, telefonemas e visitas, eis o que sabemos até agora:
Existem 2 tipos de apoio comunitário relacionados com a cultura do cânhamo:
1) Como cultura elegível do Regime de Pagamento Único (RPU) (Reg.(CE) n.º 1782/2003, alterado pelo Reg.(CE) n.º 953/2006).
O RPU é um regime de apoio aos produtores em que estes são livres de escolher o que produzem nas suas terras desde que sejam superfícies agrícolas ocupadas por terras aráveis e pastagens permanentes, com excepção das superfícies ocupadas por algumas culturas permanentes ou floresta, ou afectadas a actividades não agrícolas.
Têm acesso ao RPU todos os produtores individuais ou colectivos que:
- Possuam direitos definitivos (ou tenham adquirido direitos por transferência ou através da reserva nacional)
- Exerçam actividade agrícola em território nacional
- Tenham uma exploração com uma superfície agrícola de pelo menos 0,3 ha.
- Apresentem uma candidatura para efeitos do RPU, nas Direcções Regionais de Agricultura, nos termos e dentro dos prazos a definir, para a campanha de 2008/2009.
O pagamento dos direitos referentes às superfícies com cânhamo está sujeito à utilização de sementes das variedades constantes do anexo II do Reg. (CE) n.º 796/2004.
2) Ajuda à transformação de palhas de cânhamo destinados à produção de fibras (Reg.(CE) n.º 1673/2000, alterado pelo Reg.(CE) n.º 953/2006).
Esta ajuda é concedida ao primeiro transformador aprovado, em função da quantidade de fibras efectivamente obtida a partir das palhas em relação às quais tenha sido celebrado um contrato de compra e venda com um agricultor.
A aprovação dos primeiros transformadores de cânhamo será feita de acordo com o estabelecido no artigo 3º do Reg.(CE) n.º 245/2001. O pedido de aprovação deverá ser entregue no IFAP até ao dia 15 de Maio de cada ano, sendo a aprovação concedida nos dois meses subsequentes à apresentação do pedido (Despacho Normativo n.º 20/2001).
E isto é a resposta que nos dão, porém, nada disto é novidade, qualquer pessoa com dois dedos de testa e acesso à internet pode compilar esta informação.
A verdade é que, qualquer pessoa que se dirija à Delegação do MA da sua zona para se candidatar a qualquer um destes subsídios vai ter uma surpresa, provavelmente será informado que não existem impressos para isso, ou pior, que nem sabem do que está a falar. Agora, se algum de vós tiver a sorte de encontrar alguém na sua Delegação que saibam pôr isto a andar, avisem-nos, pois as pessoas responsáveis que nós contactamos não sabem como proceder.
Não nos foi dito ainda quem faz a fiscalização (controle de THC) das culturas, sabemos que deve ser feita quando as plantas atingem a maturidade e antes da colheita.
Não existem ainda transformadores em Portugal, seremos nós a fazê-lo assim que possível, no entanto, para aqueles que quiserem iniciar o cultivo este ano, nós garantimos as sementes certificadas. Teremos também em breve uma lista de contactos dos transformadores espanhóis.
Quanto a quem quiser cultivar sem recorrer ao subsídio, nós garantimos as sementes como já disse, mas aconselho a contactarem as autoridades locais, de preferência a Policia Judiciaria. Com a informação encontrada neste blogue sobre as leis não deverão ter problemas.
Ps: Ao que parece houve uma alteração no regulamento. Heis a citação da Sra Dra Luísa Leote do IFAP:
"Relativamente à questão do contrato, tenho a esclarecer o seguinte:
De facto, inicialmente, no artigo 52º do Reg. (CE) 1782/2003, apenas estava previsto que só poderiam beneficiar do RPU, as superfícies de cânhamo destinadas à produção de fibra e em relação às quais tivesse sido celebrado um contrato.
No entanto, de modo a tornar elegível para o benefício do RPU a cultura do cânhamo destinado a outras utilizações industriais, o Reg. (CE) 1782/2003 foi alterado pelo Reg.(CE) n.º 953/2006, no qual foi retirada a referência ao cânhamo destinado à produção de fibra e consequentemente a obrigatoriedade de celebração de contratos.
Cumprimentos,
Luísa Leote"
Ficam-me muitas dúvidas no ar. Tenho recolhido alguma informação que aponta no sentido de existirem cada vez mais apoios comunitários para este tipo de plantação. Fica igualmente a promessa de aprofundar este tema junto do Ministério da Agricultura.

